Posso estar enganada, mas acredito que o maior sonho dos jovens da educação básica continua sendo aprovar no ENEM e garantir a tão sonhada vaga no Ensino Superior. No primeiro momento, após aprovação, a felicidade de iniciar os estudos acadêmicos é imensurável, tudo é festa: as primeiras aulas, as primeiras pesquisas, as primeiras amizades, os encontros nos bares… porém, aos poucos, a felicidade intensa vai cedendo espaço à luta contra o pouco tempo para realizar as leituras exigidas pelos professores/pesquisadores que, em muitos casos, são inalcançáveis ou inacessíveis.

Depois de um tempo, os universitários entendem que a vida acadêmica não é fácil e que, portanto, é necessário ter disciplina e saber planejar o tempo de estudo, bem como compreender que tais leituras não irão prepará-los para o mundo externo à Universidade. Por isso, fazer um link entre o clássico e as questões sociais, políticas, culturais, entre outras, nas quais estão mergulhados é relevante para o desenvolvimento intelecto-profissional. Além disso, observo que, na sociedade atual, o mercado de trabalho não apenas tem acolhido profissionais competentes e criativos, mas também homens e mulheres que atuem eticamente nas empresas. A questão é: em qual etapa da trajetória educacional valores éticos estão sendo efetivamente trabalhados?

Comenius (1592-1670), autor da célebre obra “Didáctica Magna: a arte universal de ensinar tudo a todos” (1638), falava no homem virtuoso, em seus valores e na importância de relacionar o conhecimento estudado em sala de aula com questões morais que deveriam fazer parte da relação professor-aprendiz. Para ele, a didática é a “arte do saber ensinar”, todavia ensinar considerando o outro em sua essência, seus valores e suas crenças.

Mas, quando olho, por exemplo, para a conjuntura política atual, busco Comenius na formação inicial de quem está no poder e não o encontro. Fico imaginando em que parte do processo educativo alguns perderam-se no mar da corrupção moral. Fico assustada ao perceber que o país está passando por uma forte crise ética e me questiono sobre até que ponto “questões éticas e morais” estão sendo discutidas na educação básica e no ensino superior. Certamente, tais temas devem ser vivenciados, inicialmente, no seio familiar, mas precisam insistentemente ser trabalhados durante todas as etapas da trajetória educacional para que não percamos uma geração que deve atuar em prol do bem comum. Por isso, insisto: precisamos sim nos dedicar à vida acadêmica fazendo conexões com o mundo externo à universidade, mas sem deixar de lado o “homem virtuoso” retratado por Comenius. Vale a pena lembrar que não é possível ser um excelente profissional sendo uma pessoa má intencionada em tudo que realiza, portanto, acreditem: cresce pessoa e profissionalmente aquele faz da verdade o instrumento de interação social, já que sem ela pode-se até chegar ao topo do sucesso, mas com data marcada para voltar ao início. . �k:��:

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